Em 10 de janeiro de 1992, o navio Ever Laurel saía de Hong Kong para Tacoma, nos Estados Unidos, quando uma tempestade perto da Linha Internacional de Data jogou 12 contêineres ao mar. Um deles se abriu e despejou 28.800 brinquedos de banho no Pacífico — patinhos amarelos, castores vermelhos, sapos verdes e tartarugas azuis.

Dez meses depois, os primeiros apareceram numa praia de Sitka, no Alasca, a cerca de 3.200 km do acidente. Foi aí que o oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, de Seattle, percebeu o que tinha nas mãos: 28.800 objetos idênticos, soltos no mesmo ponto e na mesma data, à deriva por conta das correntes. Junto com James Ingraham, da NOAA, ele passou a registrar cada aparição e comparar com o modelo de correntes OSCURS.

Alguns brinquedos viajaram mais de 27 mil km, ficaram anos congelados no gelo do Ártico e chegaram à costa leste dos Estados Unidos e às Ilhas Britânicas em 2007 — quinze anos depois de cair do navio. O giro do Pacífico Norte leva cerca de 3 anos para dar uma volta completa, e os patinhos fizeram a rota inteira.


Sacada: o maior experimento da oceanografia não foi planejado por ninguém. Ele caiu de um navio numa tempestade — e a ciência só precisou anotar onde cada patinho foi parar.


Fonte: CNN Brasil. Saiba mais: Wikipédia, “Friendly Floatees”; Ebbesmeyer e Ingraham, Eos (1994).

