Dizem por aí que em Longyearbyen, no Ártico norueguês, é proibido morrer. Mentira — morrer, pode. O que não pode é ser enterrado lá.
O cemitério local parou de aceitar enterros nos anos 1950. Motivo: o solo é permafrost, permanentemente congelado, e os corpos simplesmente não se decompõem. Tanto que corpos de vítimas da gripe de 1918 foram encontrados décadas depois ainda preservados — com traços do vírus intactos. Por isso, além do problema de espaço, há o risco de um degelo futuro liberar patógenos adormecidos.
Hoje, quem morre lá vai para o continente, e quem está muito doente costuma se mudar antes. O hospital local é pequeno e não dá conta de cuidados de longo prazo nem de maternidade.
Sacada: a única cidade do mundo onde até a morte tem problema de logística.


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